DEMOCRACIA DA INFORMÁTICA - MACKENZIE - PÓS-GRADUAÇÃO ( LATO SENSU ) – 2000
Autor: Carlos Alberto de Andrade Franco Bueno
V – CONCEITOS DA VOTAÇÃO POPULAR - Parte 2.3
2.3. Problemas a serem resolvidos ou diminuídos - S14 - Solução 14
- S14 - mobilizou a comunidade - democracia direta
“Embora a política de orçamento não exija que os participantes pertençam a associações, o Orçamento Participativo deu a essas um novo vigor. Numa pesquisa de opinião que realizamos com os participantes das grandes assembléias regionais, 76% dos entrevistados informaram que participavam de associação civíl de alguma natureza. Destes, 62% dedicavam a maior parte do seu "tempo de participação" a associações de bairro e 14% a outros tipos de associações regionais ou locais, tais como Articulações Regionais, Comissões de Rua informais ou Centros Comunitários.
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Ao longo do ano e meio em que acompanhei as reuniões do Fórum de Delegados dessa região, uma transição lenta mas bem marcada ocorreu. Inicialmente as reuniões eram caóticas, uns interrompendo a argumentação dos outros, pessoas gritavam e xingavam, outros saiam ofendidos antes que qualquer decisão fosse tomada. Ao fim do período, os coordenadores das reuniões já tinham aprendido a controlar as interrupções, manter o foco das discussões nos temas em pauta e promover votações claras e idôneas. A importância deste processo de aprendizado básico não deve ser subestimada pois, através dele, pessoas comuns conquistam a habilidade organizativa que poderão usar e difundir em outros espaços e contextos.
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Enfim, um processo de aprendizado crítico está permanentemente ocorrendo: novos ativistas aprendem o be-a-bá dos processos de decisão coletiva e o saber administrativo é desmistificado. Dezenas de milhares de pessoas se engajaram em debate político e ação coletiva, a despeito de uma cultura política dominante em que o paternalismo e a alienação dos cidadãos dos processos de decisão política são a norma.
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Mobilização e Efeito Demonstração
Embora muitos estudos sobre ação coletiva sugiram que as pessoas se mobilizam apenas para reagir a condições difíceis ou a injustiças, minha pesquisa mostra que elas também se mobilizam em função de expectativas de melhores condições de vida. Ou seja, as pessoas participam quando percebem que ao faze-lo atendem a seu interesse. Este cálculo envolve não apenas os custos da participação identificados por Mansbridge (1980), mas também a expectativa dos prováveis benefícios.“ (Abers – 1998 – 16)